sexta-feira, 27 de março de 2015

O que não muda, transforma...

Querido amigo, chegue mais perto. Beba uma xícara de café quente com uma amiga louca!
Hoje, as árvores me contaram uma história. Falo sério! Nem eu mesma esperava por isso! Quando elas falam, porém, é interessante se aquietar para ouvi-las. Sob os galhos acolhedores, eu descobri que o mundo não mudou. Na verdade, ele nunca o fez. A natureza não mudou, as pessoas não mudaram e isso nunca vai acontecer. Impossível, pensava eu, que mentira mais cabeluda! Como podem as coisas ser sempre as mesmas se nada aos olhos é sempre igual?
Percebi, com espanto, que elas estavam certas. Mudar significa deixar de ser aquilo que se era para se tornar algo diferente. Sendo assim, o que havia anteriormente se perdeu e deu lugar a uma coisa nova. Amigo, ensinaram em nossa infância que, na natureza, nada se cria e nada se perde, tudo se transforma! Diga-me, onde é que se encaixa essa mudança da qual tanto falam?
Aquelas árvores tinham toda a razão, se você quer saber.
É tão confuso, meu amigo. As pessoas esperam mudanças umas das outras e só o que conseguem é decepção! Ninguém vai mudar, as pessoas não conseguem deixar de ser quem elas são, elas só aprendem a esconder o lado de que não gostam, que as envergonha. No entanto, eu descobri algo maravilhoso - elas se transformam.
Os seres vivos não mudam, eles se adaptam. É de sua natureza serem maleáveis para que possam se ajustar às intempéries do mundo. Eles nunca mudam, nunca deixam de ser quem são, mas eles se adaptam na medida da necessidade e é isso o que os nossos olhos se esquecem de ver. Evoluímos, nos adaptamos, abrimos um caminho até aqui.
É belo, meu amigo, abra os olhos! Tudo se transforma o tempo todo, não há descanso para a criatividade da vida! Se nós começarmos a procurar transformações nos outros ao invés de mudanças, talvez a decepção fosse menor.
Passe-me o açúcar, amigo, e veja como a loucura pode se transformar numa boa história...

 
 
- Laila.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


sexta-feira, 20 de março de 2015

As páginas do meu primeiro amor

Meu amigo, eu lhe pergunto - você já sabe o que é estar apaixonado?
Confesso que nem eu mesma sabia. Lembro-me da primeira vez que eu o vi. Ele era pequeno, cabia na palma da minha mão e despertou a curiosidade de meus dedinhos roliços - suas páginas eram coloridas e cheias de figuras. Ah, como ele era bonito!
Meu primeiro amor - um livro - me ensinou a ler e, logo depois, a escrever. Eu me sentava no chão da biblioteca e me rodeava de novos amores, sobre diversos assuntos, leves e pesados. Eu me sentia, por vezes, infiel - estava sempre à procura de novos amores.
Ah, meu querido amigo, vi mais coisas fantásticas do que você acreditaria. Estive com os pés na areia que fica no fundo do mar, conheci pessoas incríveis! A adrenalina me consumia, ao abrir a primeira página e saber que, em poucos dias, eu passaria meus olhos pela última. Lendo, eu me colocava na mão de escritores experientes que brincavam com meus sentimentos - tantas foram as vezes em que chorei e sorri por personagens que, em minha imaginação, ganhavam vida. Já fechei livros por raiva, já gritei com esses autores que, sem nunca me conhecerem, criavam personagens nos quais eu me encontrava. Tantos amores eu já vivi, tantas páginas já folheei, eu descobri o prazer de fazer parte da jornada.
Os livros me confortam, amigo. Já pediu colo a um deles? Já se escondeu em seus mundos, por se sentir deslocado no seu? Estamos no mesmo barco. Esses amores de capa dura me ensinaram coisas valiosas sobre a vida como ela é e como ela costumava ser. Através da voz de todos estes autores, eu tive um vislumbre daquilo que meus olhos nunca viram de fato - descobri que todos esses lugares podiam existir em minha cabeça.
Meu amigo, eu estou apaixonada. Sou louca por ele, por seu cheiro de tinta, pelo amarelado de suas páginas, pela paciência de suas palavras e pelos mundos nos quais ele me introduz.
O mais curioso, talvez, foi que eu descobri que os livros também estão dentro das pessoas.

 
- Laila.