segunda-feira, 13 de abril de 2015

Os pântanos de um dia de sol...

Amigo, não me entenda mal. Não sou engenheira, mas aprendi uma coisa ou outra sobre os caminhos dessa vida...
Estava eu, há poucos dias, caminhando em um parque. Sequer reparei em seu nome, em letras garrafais na entrada - o céu azul me distraiu. O sol brilhava, as famílias sorriam, os cachorros pulavam e corriam, arrastando seus pequeninos donos com eles.
Ah, como eu gosto do sol! Quando ele brilha, os celulares ficam cegos e as pessoas se lembram de abrir os olhos. Elas descobrem que, ao redor, há outros como elas, que anseiam por diversão, por carinho, por segredos compartilhados à sombra das árvores.
Nem te conto, meu amigo, quantas coisas já descobri sobre a gente que nunca havia imaginado!
Durante meu passeio, encontrei uma coisa que destoava um pouco da atmosfera alegre.
Ah, você não faz ideia da raiva que havia no rosto dela. Ela estava sentada num banco de madeira, de frente para o sol, mas nem ele surtia efeito em seu humor negro. Seus ombros estavam curvados, as mãos estavam escondidas no colo e seus cabelos cobriam metade de suas feições. Ah, amigo, a curiosidade me fez parar para observar, é claro. De um jeito incomum, senti como se os olhos escuros dela pedissem uma companhia - ela estava sozinha. Não somente sozinha, mas se sentindo sozinha, e isto é algo que nenhuma pessoa deveria sentir.
As pessoas passavam por ela, mas não a viam - ela havia construído um verdadeiro fosse em volta dela. Com água de pântano, crocodilos e uma porta levadiça que, naquele instante, estava fechadíssima. Talvez ela quisesse alguém ao seu lado, mas não estava deixando ninguém chegar perto - havia construído seu próprio muro.
Ah, meu querido amigo, por que as pessoas fazem isso? Por que é que elas criam essa atmosfera para si mesmas? Elas se isolam, se escondem, e depois não entendem por que os outros não conseguem chegar até elas. Os seres humanos alcançaram esse infeliz estágio - não confiamos mais em nós mesmos. Afinal, é mais fácil erguer paredes do que estender pontes - as pessoas que adivinhem o que se passa conosco.
Apesar de tudo, amigo, eu nunca fui dada a comodismos. Detesto adivinhações. Sendo assim, pulei os crocodilos, cortei as cordas que fechavam a porta levadiça e, quando ela caiu, sentei-me ao lado dela e lhe ofereci um sorriso.
A solidão é uma escolha, meu amigo. Abra as portas de sua fortaleza, o céu está lindo lá fora.

- Laila.


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